Representantes de governos locais debatem o desafio de voltar a habitar os territórios no “novo normal”

Doze representantes de governos locais vão participar do conversatório organizado pela Rede IberCultura Viva de Cidades e Governos Locais no 4º Encontro de Redes, nesta sexta-feira, 18 de setembro. A atividade será realizada em duas sessões — cada uma com seis pessoas convidadas e uma moderadora — e terá transmissão ao vivo pela página de Facebook do IberCultura Viva e o canal de YouTube do programa. 

Este encontro virtual foi pensado como um espaço de reflexão a respeito do desafio de voltar a habitar os territórios e as cidades a partir das práticas culturais comunitárias, neste contexto de emergência sanitária e de “nova normalidade” que vivemos com a crise derivada da pandemia de Covid-19. 

 Estarão presentes no primeiro painel, às 14h (hora de Brasília), representantes de seis governos locais: Darío Zaratti Chevarría (La Paz, Bolívia), Gastón Contreras (San Carlos, Salta, Argentina), Alexandre Santini (Niterói, Brasil), Marihem Soria (Cidade de Córdoba, Argentina), Lucía Mantilla Vera (Lima, Peru) e Raúl Shalom (Comuna de Villa Ciudad Parque, Córdoba, Argentina). A moderação estará a cargo de Viviana Cortes Angarita (Direção de Populações do Ministério de Cultura da Colômbia).

O segundo painel, às 17h, terá a participação de representantes de uma província e quatro municípios integrantes da Rede de Cidades: Juan Manuel Pereyra Benítez (Almirante Brown, Argentina), Lina Gaviria (Medellín, Colômbia), Gerardo Padilla (San Luis Potosí, México), Federico Prieto (Provincia de Entre Ríos, Argentina) e Liliana Peralta (Comodoro Rivadavia, Argentina). Esta sessão também contará com a presença de Joe Giménez (Paraguai), fundadora de El Cántaro BioEscuela Popular e membro da Rede de Espaços Culturais do Sul. Juan Carlos Barreto, assessor de Gestão Territorial da Direção Nacional de Cultura do Uruguai, será o moderador deste painel. 

 

Quem participa

PAINEL 1

ANDRÉS DARÍO ZARATTI CHEVARRÍA

Secretário de Culturas / Governo Municipal de La Paz, Bolívia

Ativista social e servidor público. Politólogo de profissão e sociólogo de formação. Especializou-se na pesquisa da problemática juvenil, transparência, acesso à informação, luta contra a corrupção e, na última década, na problemática cultural. Tem colaborado ativamente com diferentes instituições e organizações da sociedade civil na promoção da participação cidadã e defesa dos direitos humanos.  Ocupou distintos cargos de direção em organizações da sociedade e do Estado. Foi docente universitário e, atualmente, desde junho de 2015, é secretário municipal de Culturas do Governo Autônomo Municipal de La Paz.

 

GASTÓN CONTRERAS

Diretor de Cultura / Municipalidade de San Carlos, Salta, Argentina

Professor de Artes Visuais, gestor cultural e ceramista. Atualmente é diretor de Cultura do município de San Carlos, Valles Calchaquíes, província de Salta. Tem participado de diversas exposições individuais e coletivas, assim como simpósios na Argentina e na Espanha. Há 10 anos é responsável pelo Encontro Latino-americano de Ceramistas “Barro Calchaquí” em Salta e outros encontros derivados deste. Em fevereiro de 2020, organizou o Primeiro Encontro Latino-americano de Ceramistas “Barros del Qhapaq Ñan”, em Cusco, Peru. 

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ALEXANDRE SANTINI

Diretor do Teatro Popular Oscar Niemeyer, Niterói, Brasil

Gestor cultural, dramaturgo e escritor. Mestre em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor do Teatro Popular Oscar Niemeyer (Niterói-RJ). É autor do livro “Cultura Viva Comunitária: políticas culturais no Brasil e na América Latina ” e um dos criadores  da Escola de Políticas Culturais.

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MARIHEM SORIA

Diretora de Cultura Viva / Municipalidad de Córdoba, Argentina

Formada pela Escola de Ciências da Informação da Universidade Nacional de Córdoba, diplomada em Comunicação e Saúde, Gestão Pública em Saúde e Acompanhante Comunitária contra a Violência de Gênero. Foi docente do curso de Promotoras Culturais Comunitárias (2019) e membro da organização do IV Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária. É presidenta do Centro Cultural Villa El Libertador e oficineira de murga em diversos espaços comunitários e institucionais.

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LUCÍA MANTILLA VERA

Subgerenta de Promoção Cultural e Cidadania / Municipalidade de Lima, Perú

É licenciada em Comunicação para o Desenvolvimento, com formação em educação, artes cênicas e processos participativos. Conta com dez anos de experiência na gestão de projetos sociais, culturais e educativos com ênfase no fortalecimento da cidadania através das artes.. 

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RAÚL SHALOM

Diretor de Culturas / Villa Ciudad Parque, Córdoba, Argentina

Ator e diretor de teatro, psicólogo social, educador popular e gestor cultural. Diretor de Culturas da Comuna de Villa Ciudad Parque, Valle de Calamuchita, Córdoba. Diretor do Grupo Marchanta Teatro Independente. Membro da Associação Civil La Hilacha, de Semilla del Sur e da Corrente Política e Social La Colectiva, entre outros coletivos. Coordenou eventos como o Primeiro Congresso de Gestão Participativa do Carnaval Portenho e o Primeiro Simpósio Latino-americano de Teatro Encierro e Comunidade. Tem sido capacitador de oficinas em distintos lugares da Argentina e da América Latina. 

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VIVIANA CORTÉS ANGARITA

Ministério de Cultura da Colômbia

Assessora de assuntos indígenas da Direção de Populações do Ministério de Cultura da Colômbia. Comunicadora social e jornalista com estudos em antropologia, com 16 anos de experiência no setor cultural em nível nacional e internacional. Consultora de projetos culturais com enfoque em patrimônio cultural imaterial e de organismos internacionais como o Convênio Andrés Bello, o British Council e o Crespial. Foi assistente editorial da Biblioteca Básica de Cozinhas Tradicionais da Colômbia.

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PANEL 2

JUAN MANUEL PEREYRA BENÍTEZ

Presidente do Instituto Municipal das Culturas, Almirante Brown, Argentina

Presidente do Instituto Municipal das Culturas de Almirante Brown, província de Buenos Aires. Secretário de Formação Política do Partido Justicialista de Almirante Brown.

Marcos Juárez (Argentina)

 

 

LINA GAVIRIA

Secretária de Cultura Cidadã / Alcaldía de Medellín, Colômbia

Graduada na Southern Methodist University com um bacharelado em Belas Artes – Dança Performance no Texas, Estados Unidos. Dançou com a Companhia de Maureen Fleming em Nova York e com a Ópera de Dallas. Foi organizadora do Festival Internacional de Dança Contemporânea Medellín/Bogotá e subdiretora de Equipamentos Culturais do Instituto Distrital das Artes (IDARTES), onde impulsionou a criação da equipe de infraestrutura.

 

 

JOE GIMÉNEZ

Diretora de El Cántaro BioEscuela Popular, Paraguai

Fundadora de El Cántaro BioEscuela Popular em Areguá, Paraguai, onde há 13  anos centenas de crianças, jovens, e adultos têm acesso a práticas culturais gratuitas que também são ferramentas para a transformação social. Formada em Mediação Cultural pelo Conservatório Nacional de Artes e Ofícios de Paris. Membro da Rede de Espaços Culturais do Sul..

 

 

GERARDO PADILLA

Coordenador de Inovação e Desenvolvimento Institucional/ Municipalidade de San Luis Potosí, México

Secretário técnico da iniciativa de cooperação multilateral “Por uma Carta da Cidade pelos Direitos Culturais”, que a Direção de Cultura de San Luis Potosí lidera junto aos Escritórios da UNESCO no México e a Comissão Estatal de Direitos Humanos. É cofundador de Traza MX. Consultor em direitos culturais e governança cultural. É professor de disciplina na área de Indústrias Criativas e Culturais, integrante da Rede de Pesquisadores Parlamentares online, da Rede Temática CONACYT da Governança Metropolitana, e membro da plataforma AbreCultura.

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FEDERICO PRIETO

Diretor de Formação e Diversidade Cultural / Província de Entre Rios, Argentina

Formado em Gestão Cultural, fotógrafo, promotor da Cultura Viva Comunitária. Atual diretor de Formação e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do Governo de Entre Rios. Assessor de cultura ad honorem da Câmara de Deputados da Província de Entre Rios..

 

 

 

LILIANA PERALTA

Secretária de Cultura / Municipalidade de Comodoro Rivadavia, Argentina

Secretária de Cultura de Comodoro Rivadavia. Professora com pós-graduação em Gestão Cultural e Comunicação. Coautora de mais de dez livros de compilação histórica e de educação. Primeiro Prêmio outorgado pela Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) à excelência jornalística.

 

 

 

JUAN CARLOS BARRETO

Assessor de Gestão Territorial da Direção Nacional de Cultura / MEC Uruguai

Gestor cultural, publicitário e designer gráfico. Egresso da Escuela de Artes Pedro Figari. Diplomado em Gestão Cultural, Patrimônio e Turismo Sustentável (Fundación Ortega y Gasset, Buenos Aires, Argentina). Cursando o Mestrado em Políticas Culturais CURE/UDELAR. Diretor-geral de Cultura do Governo de San José (2005-2017). Integrante e presidente da Comissão Departamental de Patrimônio de San José (2010-2017). Fundador e ex-coordenador (2012-2017) da Rede Nacional de Direções de Cultura do Uruguai. Integrante do Conselho Nacional de Museus (2015-2017).

 

Quando?

Sexta-feira 18 de setembro

14h (ARG-BRA-CHL-URY), 12h (COL-ECU-MEX-PER), 11h (CRI-SLV), 19h (ESP)  

 

Confira a lista de pessoas selecionadas para o seminário “Introdução ao Patrimônio Cultural Imaterial”

O programa IberCultura Viva e o Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da América Latina (CRESPIAL) anunciaram, nesta sexta-feira 11 de setembro, os nomes das 119 pessoas selecionadas para participar do seminário virtual “Introdução ao Patrimônio Cultural Imaterial”, que organizam de maneira colaborativa no 4º Encontro de Redes IberCultura Viva. 

As inscrições estiveram abertas no Mapa IberCultura Viva entre 24 de agosto e 4 de setembro. Foram enviadas 190 postulações provenientes dos países membros de IberCultura Viva e do CRESPIAL. Colômbia (28), Peru (24), Argentina (23) e México (23) foram os países com maior número de pessoas candidatas. 

O número de vagas inicialmente designado era de 7 pessoas por país. No caso dos países que não completaram suas cotas, as vagas que sobraram foram repartidas entre aqueles que apresentaram um maior número de inscrições. A seleção levou em conta a ordem de chegada das inscrições e alguns critérios estabelecidos previamente no regulamento, como a divisão de vagas entre pessoas vinculadas a organizações culturais comunitárias e pessoas vinculadas a governos locais. 

O resultado final apresenta a seguinte distribuição: Argentina (10), Bolívia (3), Brasil (8), Chile (9), Colômbia (10), Costa Rica (9), Cuba (1), Equador (9), Espanha (3), El Salvador (9), Guatemala (7), México (10), República Dominicana (7), Paraguai (5), Peru (10), Uruguai (2) e Venezuela (7). 

As 119 pessoas selecionadas para participar deste seminário virtual receberão por correio eletrônico as instruções para acessar a plataforma e acompanhar as sessões. As aulas estarão disponíveis somente para as pessoas selecionadas nesta convocatória.

 

 

Metodologia

O seminário será realizado de maneira virtual e gratuita durante cinco semanas através da plataforma Moodle, que se encontra em https://formar.cultura.gob.ar/. As sessões serão em espanhol, às quartas-feiras, a partir das 11:00 no horário do Peru (13:00 de Argentina e Brasil, 18:00 da Espanha). Este encontro sincrônico uma vez por semana terá duas horas de duração e um trabalho de fórum de debate e reflexão, com tutores. Será mantido um fórum aberto continuamente durante a formação, incentivando o debate e a reflexão a partir dos encontros com os docentes.

A atividade faz parte do Programa de Fortalecimento de Capacidades do CRESPIAL, que  busca fortalecer as capacidades humanas e institucionais de gestores públicos, comunidades portadoras, ONGs, entre outros atores vinculados à gestão e salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, através da cooperação regional e promovendo a participação comunitária como condição para a salvaguarda e a governança cultural. O CRESPIAL é um Centro de Categoria 2 sob os auspícios da UNESCO, com sede em Cusco (Peru). 

Esta série de encontros virtuais foi elaborada com base no material de Formação inicial – Anillo 1 do CRESPIAL, com o objetivo de sensibilizar um grupo de funcionários e pessoas da sociedade civil vinculadas com a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial dos países membros do CRESPIAL e do IberCultura Viva. Os módulos se dividiram em quatro encontros temáticos e uma sessão final, prevista para 14 de outubro, para as conclusões e avaliação das sessões anteriores. 

  

Os módulos 

Seminário virtual: “Introdução ao Patrimônio Cultural Imaterial”

– Módulo 1: Conceitos-chave sobre PCI. Conhecendo a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO. Docente: Miguel Hernández Macedo (Peru). Quarta-feira 16 de setembro 

-Módulo 2: Políticas públicas para a gestão e salvaguarda do PCI. Docente: Luisa Sánchez (Colômbia). Quarta-feira 23 de setembro

-Módulo 3: A participação comunitária no contexto da salvaguarda do PCI. Docente: Adriana Molano Arenas (diretora geral do CRESPIAL). Quarta-feira 30 de setembro

-Módulo 4: Medidas e ferramentas de salvaguarda do PCI. Docente: Lucas dos Santos Roque (Brasil). Quarta-feira 7 de outubro

Quem são os/as docentes 

Adriana Molano Arenas (Colombia) – Diretora geral do CRESPIAL

Antropóloga com especialização em Políticas Culturais e Gestão de Artes, com experiência de trabalho na elaboração e implementação de políticas públicas participativas em temas culturais. Também dirige projetos de fortalecimento do tecido social desde a perspectiva patrimonial no âmbito do desenvolvimento sustentável com comunidades afro, indígenas e camponesas. Coordenou o grupo de patrimônio cultural imaterial da Direção de Patrimônio do Ministério de Cultura da Colômbia de 2008 a 2015. Tem desenvolvido consultorias para a UNESCO e é especialista da Estratégia Global de Fortalecimento das Capacidades Nacionais para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial na América Latina e no Caribe.

 

Miguel Ángel Hernández Macedo (Peru) 

Antropólogo com estudos de pós-graduação em Gerência Social. Especialista em patrimônio cultural imaterial com 12 anos de experiência no Ministério de Cultura do Peru, como coordenador principal na elaboração de expedientes técnicos para a inscrição de elementos do patrimônio cultural imaterial na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Conta com diversas publicações sobre expressões culturais peruanas, incluindo os livros “Cozinha e Identidade: a Culinária Peruana como Patrimônio Cultural Imaterial” e “El Q’eswachaka de Canas. Engenharia e tradição nas comunidades de Quehue”. Tem sido facilitador de oficinas e cursos sobre Patrimônio Cultural Imaterial no Peru e na América Latina e representante peruano ante organismos internacionais relacionados ao patrimônio vivo.

 

Luisa Sánchez (Colômbia) 

Antropóloga. Mestre em Antropologia Social e doutora em Sociologia pelo Instituto de Altos Estudos da América Latina IHEAL-Paris 3. Atualmente é professora, pesquisadora e diretora do Departamento de Antropologia da Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá. Tem se concentrado na pesquisa das dinâmicas históricas, políticas e populacionais das regiões da Amazônia e a Orinoquia colombianas, com ênfase em processos migratórios para contextos urbanos. Foi assessora do Grupo de Patrimônio Cultural Imaterial no Ministério de Cultura da Colômbia. Ali trabalhou as linhas de Memória e Patrimônio, Pesquisa e Inventários. Nos últimos anos tem se especializado na análise comparada e na avaliação de políticas culturais, participando como consultora internacional em vários trabalhos do CRESPIAL, em cujo site pode-se consultar sua última publicação, “Miradas al PCI de América Latina, avances y perspectivas“.

 

Lucas dos Santos Roque (Brasil) 

Antropólogo. Mestre em Ciências Sociais com especialização em Patrimônio Imaterial e Comunidades Deslocadas de maneira compulsória. Tem 20 anos de experiência como técnico e coordenador na elaboração de pesquisas e trabalhos na área ambiental e cultural. Coordenou e executou diversos diagnósticos participativos e planos participativos de desenvolvimento comunitário, e também inventários de Patrimônio Cultural Imaterial (PCI). Na Estratégia Global de Fortalecimento de Capacidades da UNESCO, tem facilitado várias oficinas para a implantação das políticas de salvaguarda do PCI e outros temas relacionados. No CRESPIAL, lidera a elaboração do Plano de Diálogo e Fortalecimento de Capacidades da instituição, assim como a coordenação da elaboração dos materiais pedagógicos previstos neste Programa. 

 

 

Confira a lista de pessoas selecionadas:

Información a las interesadas – Proceso de selección – Convocatoria para el seminario virtual “Introducción al Patrimonio Cultural Inmaterial”

 

Seminário virtual “Políticas culturais e participação cidadã” será assistido por 119 pessoas de 10 países

O programa IberCultura Viva e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), sede Argentina, anunciaram nesta sexta-feira 11 de setembro os nomes das 119 pessoas que participarão do seminário virtual “Políticas culturais e participação cidadã”, que se realizará entre 16 de setembro e 7 de outubro, como uma das atividades do 4º Encontro de Redes IberCultura Viva.

Este seminário é uma colaboração do programa com FLACSO-Argentina, dentro da parceria em torno do Curso de Pós-graduação Internacional em Políticas Culturais de Base Comunitária, ministrado desde 2018. Ao longo de quatro semanas, neste espaço de formação e debate, serão abordadas noções de políticas culturais, com especial ênfase nas questões de direito, cidadania e comunidade, e no papel do Estado e dos movimentos sociais e os/as cidadãos/ãs como agentes de transformação.

A convocatória para o seminário esteve aberta entre 25 de agosto e 10 de setembro. Para participar, as pessoas postulantes deveriam trabalhar em organismos públicos de cultura, ser gestores/as culturais independentes em atividade ou ser membros de organizações culturais de base comunitária ou de povos originários. 

Foram selecionadas candidaturas provenientes de 10 países membros de IberCultura Viva: Argentina (28), Brasil (9), Chile (9), Colômbia (9), Costa Rica (4), Equador (8), El Salvador (8), México (19), Peru (20) e Uruguai (5). Estas 119 pessoas receberão um correio eletrônico com informação sobre os acessos para a sala de aula virtual.

 

Módulos

O seminário se realizará durante quatro semanas através da plataforma Moodle, localizada em www.flacso.org.ar, com um encontro sincrônico uma vez por semana (1 hora de vídeo expositivo, 30 minutos para perguntas) e com trabalho em fórum de debate e reflexão, com tutores. Será mantido um fórum aberto durante a formação, incentivando o debate e a reflexão a partir dos encontros sincrônicos com as/os docentes. As aulas serão em espanhol, às quartas-feiras, das 17h às 19h, considerando o horário de Brasília e Buenos Aires. 

 

 Aula 1.  Políticas Culturais.  Docentes: Paula Mascías / Belén Igarzabal (Argentina)

Esta aula faz um passeio pelas noções de políticas culturais, com especial ênfase nas questões de direito, cidadania e comunidade. Serão abordadas as seguintes temáticas: Políticas culturais e cidadania, culturas e território, estado e organizações sociais, direitos culturais, políticas culturais e comunidades.

Aula 2. Cultura de Base Comunitária. Docente: Doryan Bedoya (Colômbia)

Nesta aula serão propostos os principais debates e teorias existentes em torno das políticas culturais de base comunitária. Cultura viva comunitária. História e conceitualização, novas formas de organização cultural comunitária, incidência política das organizações culturais comunitárias, abordagem e intervenção em território. 

Aula 3. Estratégias culturais e políticas de desenvolvimento. Docente: Víctor Vich (Peru)

Esta aula busca examinar os processos de tomada de decisão e o desenho de estratégias de desenvolvimento baseadas em projetos e políticas culturais. Para isso, reflexiona-se sobre o componente político das decisões e sua irredutibilidade, ao mesmo tempo em que se problematiza o vínculo entre cultura e desenvolvimento e analisam-se estratégias de transformação baseadas na potencialidade da cultura.

 Aula 4: Ferramentas de planejamento e participação social. Docente: Marcela País Andrade (Argentina)

Nesta aula exploramos ferramentas diversas para o planejamento de ações em território que permitem elaborar uma abordagem complexa e em forma de nós. Essas ferramentas, em conjunto, permitem construir tramas significativas para o desenvolvimento das cidades com toda sua potência, reconhecendo, em primeira instância, o que já existe.

 

Quem são os facilitadores

Paula Mascías (Argentina) 

Licenciada em Gestão da Arte e da Cultura pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF). Cursou especialização em Administração das Artes na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires (UBA) e mestrado em Política e Gestão Local na Universidade Nacional de San Martín. Atualmente, dirige o Lab Cultura + Território, da área de Comunicação e Cultura da FLACSO – Sede Argentina. Há mais de 20 anos cria e impulsa processos de participação social e desenvolvimento territorial. Tem planejado e coordenado programas socioculturais em bairros em diferentes comunas da Cidade de Buenos Aires e o Conurbano Bonaerense desde a modalidade Território + Organização Social, e elaborado estratégias de abordagem barrial em distintas partes do país, em conjunto com governos, empresas e organizações sociais. Também tem ministrado cursos e oficinas em diferentes âmbitos e participado de encontros e congressos nacionais e internacionais.

 

Belén Igarzabal (Argentina) 

Licenciada em Psicologia, tem mestrado em Jornalismo pela Universidade de San Andrés. Atualmente realiza o doutorado em Ciências Sociais de FLACSO, onde se especializa na análise de meios de comunicação, audiências e gênero. Em 2009 teve uma estadia de estudos e pesquisa em Sciences Po – Paris. É diretora da Área Comunicação e Cultura da FLACSO – Sede Argentina. É coordenadora acadêmica da pós-graduação virtual “Gestão cultural e comunicação” e diretora das pós-graduações virtuais “Políticas Culturais de Base Comunitária” e “Educação, imagens e meios” (em colaboração com a  área de Educação). Faz parte do Grupo de Trabalho CLACSO “Epistemologias decoloniais, territorialidades e cultura”. É professora das matérias “Teoria da Comunicação” e “Huellas de la transformación digital” na Universidade de San Andrés. Integra o Conselho de Cultura da Cidade de Buenos Aires.

 

Doryan Bedoya (Colômbia) 

Poeta, administrador educativo, gestor cultural. Cofundador do coletivo Caja Lúdica Guatemala em 2001 e da Rede Guatemalteca de Arte Comunitária em 2004. Membro fundador do Movimento de Arte Comunitária Centro-americano MARACA em 2005, e integrante da equipe coordenadora do Conselho Latino-americano de Cultura Viva Comunitária. Faz parte do Conselho Acadêmico de Caja Lúdica, em aliança com a Escola Superior de Arte da Universidade de San Carlos de Guatemala. Conta com especializações em Descentralização da Educação, Diplomacia Cultural, Projetos Culturais e Cooperação Internacional.

 

Víctor Vich (Peru) 

Professor principal na Pontifícia Universidade Católica do Peru e na Escuela Nacional de Bellas Artes. Foi professor convidado em Harvard, Berkeley e Madison, nos Estados Unidos. Foi membro do Conselho Diretivo do Serviço de Parques de Lima (SERPAR) e assessor em temas de política cultural em distintas instituições peruanas e da América Latina. Atualmente dirige um mestrado de Estudos Culturais. É autor de vários livros, entre eles Desculturizar la cultura: la gestión cultural como forma de acción política (2014) e Poéticas del duelo: ensayos sobre arte, memoria y violencia política (2015).

 

 

Marcela País Andrade (Argentina) 

Licenciada em Sociologia, doutora em Filosofia e Letras (Área Antropologia) e pós-doutora pela Universidade de Buenos Aires (UBA). Técnica nacional em recreação pelo Instituto de Tiempo Libre y Recreación do Governo da Cidade de Buenos Aires. Trabalha como pesquisadora adjunta do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET) no Instituto de Ciências Antropológicas da Faculdade de Filosofia e Letras (ICA-FFyL). É professora regular e pesquisadora na carreira de Trabalho Social da Faculdade de Ciências Sociais da UBA (FSOC-UBA), onde dirige diversos projetos de  pesquisa. Também é docente de pós-graduação na FLACSO (Área Comunicação e Cultura – Sede Argentina), no mestrado de Comunicação e Cultura de FSOC-UBA, e no mestrado em Cultura Pública da Universidad Nacional de las Artes (UNA). Foi assessora e formadora em Gestão Cultural e Cultura Comunitária para a Direção Nacional de Formação Cultural do Ministério de Cultura (2013-2019).

 

75 pessoas participarão do seminário virtual “Cultura comunitária, mulheres, gêneros e diversidade”

O seminário virtual “Cultura comunitária, mulheres, gêneros e diversidade”, que se realizará entre 16 de setembro e 7 de outubro no 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, terá a participação de 75 pessoas provenientes de 10 países membros do programa. Foram selecionadas 18 pessoas da Argentina, 3 do Brasil, 8 do Chile, 2 da Colômbia, 3 de Costa Rica, 3 do Equador, 1 da Espanha, 15 do México, 17 do Peru e 5 do Uruguai.  

A atividade é uma iniciativa do programa IberCultura Viva coordenada pela Direção de Artes do Ministério de Cultura do Peru, em parceria com a Direção Nacional de Cultura do Ministério de Educação e Cultura do Uruguai, e a Secretaria Geral Ibero-americana (SEGIB). A proposta do seminário é apresentar o enfoque e a perspectiva de gênero, a fim de que as pessoas participantes possam incorporar noções que ajudem a consecução da equidade entre diversidades sexuais e de gênero (DSG), com o objetivo de transversalizar ações que promovam o respeito e a inclusão no desenvolvimento das políticas culturais de base comunitária.

 

Módulos

As aulas do seminário estarão disponíveis somente para as pessoas selecionadas neste edital, que teve inscrições abertas entre 27 de agosto e 10 de setembro. As pessoas que tiveram suas postulações aceitas receberão por correio eletrônico as instruções para acessar a plataforma e acompanhar as sessões do seminário virtual. 

As aulas serão realizadas em espanhol, entre 16 de setembro e 7 de outubro, em sessões virtuais semanais, às quartas-feiras, das 15h às 17h, considerando o horário de Brasília e Buenos Aires (Argentina). Este encontro terá 1 hora e 30 minutos de vídeo expositivo, e 30 minutos para perguntas. Será mantido um fórum aberto durante a formação, incentivando o debate e a reflexão a partir dos encontros sincrônicos com as/os docentes. Será utilizada a plataforma Moodle, localizada em https://formar.cultura.gob.ar.

Os módulos se dividem da seguinte maneira:

Módulo 1: Introdução: panorama geral sobre enfoque e perspectiva de gênero. Docente: Lucía Alvites (Peru). Quarta-feira 16 de setembro 

-Módulo 2: Revisões teóricas (Gênero, Diversidade, Novas Masculinidades, Interseccionalidade). Docente: Lucía Alvites (Peru). Quarta-feira 23 de setembro

-Módulo 3: Processos impulsionados pela sociedade civil e as agendas de incidência para a inclusão da perspectiva de gênero e diversidade nas políticas públicas. Docente: Victoria Contartese (Uruguai-DNC/MEC). Quarta-feira 30 de setembro

-Módulo 4: Transversalização da perspectiva de gênero nas políticas públicas. Docente: Claudia Briones (Espanha-SEGIB). Quarta-feira 7 de outubro

 

Quem são as facilitadoras

Lucía Alvites (Peru) 

Mestre em estudos de gênero e cultura pela Universidade de Chile. Socióloga pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos. Especialista e consultora em temas de gênero para entidades públicas e privadas e organismos internacionais. Docente da Universidad Nacional Mayor de San Marcos e outros espaços acadêmicos. Diretora do Instituto Ciudadanía y Democracia. Autora de diversas pesquisas e publicações.

 

Victoria Contartese (Uruguai) 

Formada em Ciência Política, tem diploma de especialização em Marketing Político e Direção de Campanhas. Atualmente, curso o mestrado em Ciências Humanas – Estudos Latino-americanos na Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidad de la República. Trabalha na Direção Nacional de Cultura (DNC-MEC) há 10 anos, onde tem se desempenhado em projetos como o Programa de Atenção a Coletivos Vulneráveis de Cidadania Cultural e o Sistema de Informação Cultural. Tem realizado cursos e seminários sobre políticas públicas, gênero, direitos humanos, feminismos latino-americanos, políticas culturais e diversidade cultural, entre outros.

 

Claudia Briones (Espanha) 

Coordenadora de Gênero da Secretaria Geral Ibero-americana. Anteriormente desempenhou funções como administradora dos portfólios regionais para América Latina e Caribe, Europa e Ásia Central no Fundo Fiduciário das Nações Unidas para Eliminar a Violência contra a Mulher, e como especialista de programas na área de Políticas de Violência contra as Mulheres na ONU Mulheres (Nova York). Também foi analista de programas no Escritório Sub-regional de UNIFEM para México, América Central e República Dominicana, coordenando a linha de trabalho em HIV/AIDS e programas vinculados ao empoderamento econômico das mulheres. Também trabalhou na Agência Espanhola de Cooperação ao Desenvolvimento (AECID) como coordenadora de gênero do Escritório Técnico de Cooperação em Honduras, e na Fundación Género y Sociedad, na Costa Rica, como técnica de projetos em gênero e migração.

 

 

Confira a lista de pessoas selecionadas

“Cinema comunitário, desde a visão ancestral até nossos dias”: um ciclo comprometido com a identidade e a realidade

 

A Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, que se realiza de 12 a 26 de setembro no 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, busca abrir espaço para projetos audiovisuais que promovam a diversidade, a solidariedade, a colaboração comunitária e o autocuidado. Também retoma narrativas e modos de produção que às vezes ficam de fora dos circuitos convencionais de exibição e distribuição, como o cinema sem autor, o cinema colaborativo, o cinema etnográfico, o cinema feminista, o cinema político ou militante, o cinema LGBTIQ, o cinema experimental, entre outros.

Quatro ciclos foram programados para ser exibidos ao longo das duas semanas da mostra: “Cinema comunitário, desde a visão ancestral até nossos dias”, “Cinema comunitário, Cinema de crianças e para crianças e adolescentes”, “Cinema e audiovisual comunitário com perspectiva de gênero”, e “Séries web comunitárias e transmídia”. Os dois primeiros estarão disponíveis na página web www.encuentroderedes.org entre os dias 13 e 19 de setembro; os outros dois ciclos, de 20 a 26 de setembro.

O Ciclo de cinema 1: “Cinema comunitário. Desde a visão ancestral até nossos dias”, que abre neste domingo, reúne projetos que produzem, a partir do olho coletivo, um cinema comprometido com as realidades sociais e culturais, o desenvolvimento e fortalecimento da cultura e da identidade e a defesa de seus direitos fundamentais. Nesta seleção entraram trabalhos de Grupo Chaski (Peru), Thydewá (Brasil), Coletivo de Comunicações Kuchá Suto de San Basilio de Palenque (Colômbia), e Cinema em Movimento (Argentina).

Grupo Chaski: o cinema como espaço de entretenimento, reflexão e inclusão

Nos anos 1980, quando o Grupo Chaski começou a exibir filmes onde as salas de cinema não chegavam, a ideia era ir aos lugares mais distantes para levar o cinema às pessoas. O traslado era feito da maneira que fosse possível: em burro, em caminhonete, a pé. Com uma média de três projeções por dia, eles chegaram a visitar quase todos os departamentos do Peru em coordenação com associações juvenis, clubes de mães, comedores populares, grupos paroquiais, sindicatos, etc.

“Desde o início Chaski buscou a forma de conectar o bom cinema (que entretém, emociona e faz pensar) com o público de todo o país, usando-o como pretexto para criar espaços de informação, reflexão e inclusão. Sempre se pensou em um cinema que fosse espelho e reflexo de nossa identidade, de nossa cultura e realidade”, comentou María Elena Benites Aguirre, diretora do grupo peruano, em entrevista a IberCultura Viva em 2015.

Criado em 1982, o Grupo Chaski é uma associação civil sem fins lucrativos que realiza atividades no campo da produção, da difusão e da formação audiovisual. O grupo é formado por um coletivo de cineastas, comunicadores audiovisuais e gestores culturais. Sua história se divide em duas etapas: uma nos anos 1980, voltada para a produção e exibição de filmes; outra a partir dos anos 2000, quando se cria a Rede Nacional de Microcines, uma plataforma de comunicação comunitária onde se exibem e produzem filmes que fomentam valores, reflexão e entretenimento.

Neste primeiro ciclo da Mostra de Cinema Comunitário Ibero-americano, o Grupo Chaski e a Rede Nacional de Microcines apresentam os seguintes curtas-metragens: “Hilos de fé”;  “Ch’iaraje, granizo de piedras y ríos de sangre” e “Tangarará”. “Hilos de fé“, uma produção do Microcine Kushka, é um documentário sobre os diversos protagonistas da Festa da Virgem de Carmen de Paucartambo, entre eles os que se encarregam de confeccionar os trajes dos dançantes.”Ch’iaraje, granizo de piedras y ríos de sangre” (Microcine Legaña de Perro) centra-se no Ch’iaraje, uma prática cultural de respeito à Pachamama, realizada pela população de Ch’eqa e Qewe. “Tangarará” é, por sua vez, a primeira cidade fundada pelos espanhóis no Pacifico Sul e a primeira cidade do Peru. Este documentário do Microcine Perlacine mostra, depois de mais de 400 anos, o contraste entre a história e uma sociedade que foi esquecida.

 

Cinema em Movimento: oficinas como espaço de transformação social e debate

“Cine en Movimiento” é uma organização social criada em Buenos Aires (Argentina) em 2002, que, desde a perspectiva da educação popular, se propõe a apresentar as ferramentas da linguagem audiovisual para que os grupos, as organizações sociais e as comunidades possam emitir sua própria mensagem. 

As oficinas de Cine en Movimiento são como um espaço de transformação social e debate em que as comunidades podem, mediante a linguagem audiovisual — e seus diferentes usos —, gerar as próprias mensagens e encontrar um espaço para pensar e se transformar, retomando assim seu papel de atores culturais ativos na recriação de sua realidade. 

Combinando a educação popular e as ferramentas do cinema e da fotografia, as oficinas oferecem capacitação técnica sobre os instrumentos requeridos para a produção de material audiovisual, assim como o manejo das câmeras, do som e da iluminação, sob uma lógica de intervenção itinerante. O trabalho é feito em distintos territórios, como a Cidade Autônoma de Buenos Aires, o Conurbano Bonaerense e localidades do interior da Argentina, em articulação com outras organizações, escolas, sindicatos, ONGs e instituições públicas. 

Desde sua criação, foram realizadas mais de 300 produções audiovisuais. Passaram pelas oficinas mais de 2000 crianças, adolescentes, jovens e adultos. As produções audiovisuais que se apresentam neste ciclo foram realizadas nas oficinas de Cine en Movimiento, junto a diversas organizações sociais da Área Metropolitana de Buenos Aires. Serão exibidos curtas vinculados à temática “Cinema comunitario, cinema curador” (“Todo por ella”, “Podría ser hoy”, “Rescatarme para rescatar”, “El pibe”, “El trinche”, “El paredón”, “El espejo”, “Verte volver”).

 

Thydêwá: um colectivo multicultural que dá voz aos povos indígenas

Criada na Bahia (Brasil) em 2002, a organização Thydêwá nasceu da alquimia multicultural de um coletivo formado por indígenas de Alagoas, Bahia e Pernambuco, dois paranaenses, uma gaúcha, um baiano, um chileno e um argentino. Seu objetivo é “promover a consciência planetária, valendo-se do diálogo intercultural, da valorização da diversidade e das culturas tradicionais, com vistas a um desenvolvimento integral para todos em harmonia e paz”.

A organização é responsável por um Pontão de Cultura Indígena chamado Esperança da Terra. Entre os principais projetos realizados pela ONG estão a rede Índios On-Line, a Oca Digital e a série de livros “Índios na visão dos índios”. Em 2015, Thydewá foi uma das ganhadoras do Edital IberCultura Viva de Intercâmbio, com o projeto Kwatiara Abya Yala (Escritura Indígena de América). Kwatiara é uma coleção de livros digitais de autores de diferentes etnias do território brasileiro. Com o apoio do programa IberCultura Viva, a coleção passou a ser ibero-americana, incluindo dois e-books produzidos em comunidades indígenas da Argentina.

Neste ciclo de cinema, Thydewá apresenta dois videos: “Mensagens da Terra”, documentário de 13 minutos com direção da indígena Maria Pankararu (rodado no Brasil, em português, e aqui exibido com subtítulos em espanhol), e “Aldeia do Cachimbo”, dirigido pelo presidente da Thydêwá, Sebastián Gerlic, um argentino radicado no Brasil há 25 anos.

“Mensagens da Terra”, o curta-metragem de Maria Pankaruru, mostra os sentimentos, opiniões e visões de quatro indígenas que refletem sobre a realidade local e global e incitam o público a repensar o que hoje se entende por “civilização” e para onde ela tem ido.

 

 “Aldeia do Cachimbo”, por sua vez, reúne diferentes relatos e gerações como uma forma de valorizar a memória viva, como um convite afetuoso aos brasileiros para que reflexionem sobre sua história e sua identidade. O documentário, que conta com direção e câmera de Gerlic, é resultado de um trabalho coletivo e colaborativo que destaca o protagonismo da comunidade indígena da Aldeia do Cachimbo. Neste processo de cocriação, 15 indígenas e 3 não indígenas passaram 15 dias juntos na aldeia. Neste curta de 14 minutos de duração, todos eles narram a reconquista de seu território e compartilham a alegria que significa poder viver juntos em uma mesma comunidade.

 

Coletivo Kuchá Suto de San Basilio de Palenque: mantendo a memória viva

O Coletivo de Comunicações Kucha Suto nasceu na Colômbia em 1999, com o propósito de criar processos para manter viva a memória das tradições ancestrais afro-colombianas próprias do território de San Basilio de Palenque, Bolívar. Seu nome significa “Escute-nos” em palenquero. Com este grupo de narradores e narradoras da memória, o cinema em San Basilio de Palenque tem sido um exercício coletivo de criação e reflexão constante, acerca da realidade que se experimenta e as apostas sobre o futuro da comunidade, por meio da recuperação de suas vozes e histórias.

Os dois curtas que o Kuchá Suto de San Basilio de Palenque apresenta neste ciclo de cinema são criações coletivas que contaram com a participação de mais de 25 pessoas nos roteiros. Uma delas é “Fausto”, dirigida por Rodolfo Palomino Cassiani, sobre um jovem de 17 anos acostumado à vida do campo e à felicidade em familia, e que depois do assassinato de seus pais tem que se refugiar no povoado vizinho, na casa de um tio, levando consigo transtornos mentais. Com a solidão e o isolamento na casa do tio, a saúde mental do jovem piora a cada dia e diminuem as possibilidades de realizar seus sonhos.

O outro curta do coletivo, “Plan de fuga”, tem a direção de Gleidis Paola Salgado Reys, uma palenquera que encontrou no cinema comunitário e na produção audiovisual um caminho artístico e uma possibilidade pedagógica criativa. “Plano de fuga” narra (em dialeto palenquero, com subtítulos em espanhol) a história de Mambalá, uma negra cimarrona que persistiu na ideia de manter a unidade de um grupo de mulheres que, durante uma fuga liderada por rebeldes cimarrones, conseguem chegar ao território livre de Palenque graças aos mapas trançados nas cabeças de suas próprias filhas.

 

Programação infantil do 4º Encontro de Redes: oito espetáculos de títeres e um episódio de animação de Pakapaka

Oito espetáculos de diferentes países estão programados na Mostra de Títeres IberCultura Viva 2020, que se realizará no 4º Encontro de Redes de maneira virtual, com sessões entre os dias 14 de setembro e 8 de outubro. A programação poderá ser acompanhada pela página web www.encuentroderedes.org.

De 14 a 16 de setembro será transmitida “Cachito campeón”, obra baseada em uma canção de León Gieco, da companhia El Ñake Títeres (Argentina); de 17 a 19, “La estrategia de Elías”, de OANI Teatro (Chile); de 21 a 23, “Barro y silencio”, do Teatro Escuela Colectivo Mano 3 (Equador); de 24 a 26, “Bonecos do Só Rindo”, de Bonecos da Montanha (Brasil); de 28 a 30, “Garabatos”, de Títeres y marionetas El Tenderete (México); de 1 a 3 de outubro, “El charquito”, de Tárbol Teatro de Títeres (Peru); de 5 a 7, “La madre de todos los animales”, de Títeres de Cachiporra (Uruguai), e em 8 de outubro, “Cuidado con la Marimonda”, de Manicomio de Muñecos (Colômbia).

Para 9 de outubro está prevista a exibição da animação “La asombrosa excursión de Zamba a la vida de Manuel Belgrano“, de Pakapaka. Criado em 2010, Pakapaka é o primeiro canal infantil público da Argentina. Um espaço que vê os meninos e meninas como cidadãos, sujeitos de direitos, construtores e pensadores de sua realidade, e onde eles podem se expressar livremente, respeitando suas diferenças e particularidades.

A seguir, apresentamos as sinopses dos espetáculos e uma breve descrição das companhias.

 

“Cachito campeón” – El Ñake Títeres (Argentina) 

Cachito trabalha de sol a sol no campo, para casar-se com China, o amor de sua vida, uma linda correntina que há anos espera chegar ao altar. Antes. porém, ele deverá enfrentar a ganância do patrão e a ambição de um representante que o leva à cidade prometendo êxito, glória e dinheiro. A obra é uma criação da companhia de títeres El Ñaque, que foi fundada em 1998 por alunos formados nas Escolas de Títeres de Avellaneda e do Teatro General San Martín. (De 14 a 16 de setembro)

 

“La estrategia de Elías” – OANI Teatro (Chile)

Elías é um menino de oito anos que vem de uma família esforçada. Sua mãe trabalha fora de casa, enquanto o pai cumpre pena na prisão por roubo. A história se inicia no dia em que o pai é liberado. Elías, como toda criança, admira o pai e quer ser como ele. Decidido a sair para roubar pela primeira vez, ele vai ao centro da cidade, onde conhece Su Yin, uma menina que o fará descobrir qual é a melhor estratégia para sua vida. Este é um dos 17 espetáculos de produção independente realizados por OANI Teatro. O grupo nasceu em Santiago (Chile) em 1998 e desde então participou de mais de 60 festivais e encontros nacionais e internacionais. (De 17 a 19 de setembro)

 

“Barro y silencio”- Teatro Escuela Colectivo Mano 3 (Equador)

O Mono, personagem das festas populares do Equador, perde-se da caravana que viaja de povoado em povoado. Enquanto espera, conta a história de como o palhaço andino deixou de dançar e festejar nas praças. Realizada com títeres e marionetes, a obra busca valorizar o palhaço andino como protagonista das festas populares, sua visão e seus valores culturais, e reviver junto com o público a memória da festa popular. O caminho do Teatro Escuela Colectivo Mano 3 começou em 2001 na cidade de Cuenca. Desde então tem levado suas obras a várias partes do mundo e organizado duas edições da Bienal de Teatro en Cuenca. (De 21 a 23 de setembro) 

 

©sergioazevedophotos 2018

“Bonecos do Só Rindo” – Bonecos da Montanha (Brasil)

Bonecos da Montanha é uma companhia criada no Rio Grande do Sul em 1992 e que já se apresentou em mais de 500 cidades. Sustentado pela capacidade de improvisação dos bonequeiros Nelson Haas e Beth Bado, o espetáculo “Bonecos do Só Rindo” apresenta personagens como o menino Pepino e o argentino mais querido da Serra Gaúcha, Carlos, num formato de “pequenos contos”, em uma seleção dos melhores quadros desenvolvidos pelo grupo nestes quase 30 anos de estrada. (De 24 a 26 de setembro)

 

 

 

 “Garabatos”- Títeres y marionetas El Tenderete (México)

Este espetáculo com fantoches apresenta as aventuras de Garabato, um gato que aceita o desafio de ser responsável por seu destino, obtendo experiências que o permitirão valorizar sua vida e cuidar-se de si mesmo, de seus semelhantes e do meio ambiente. A história mostra as 7 vidas de um gato com o objetivo de conscientizar as crianças sobre alguns dos riscos a que estão expostas, para que estejam alertas e possam se cuidar. Desde sua criação, em 1984, a companhia El Tenderete já confeccionou mais de 500 títeres.(De 28 a 30 de setembro)

 

 

“El charquito” – Tárbol Teatro de Títeres (Peru)

Certo dia no bosque, o Sapo descobre que o laguinho em que vive secou. Ele sai em busca de água e, no caminho, encontra outros animais, que motivados pela sede e outras necessidades relacionadas com a água, passam a acompanhá-lo nessa aventura. Essa é a premissa de “El charquito”, espetáculo da companhia Tárbol Teatro de Títeres. O grupo iniciou suas atividades em 1999 e conta com um repertório de 15 obras de títeres para o público familiar e várias peças curtas para adultos. Em 2018, o grupo lançou o livro “Oficio de libres, del ancestral y contemporáneo arte de los títeres”. (De 1 a 3 de outubro)

 

La madre de todos los animales” – Títeres de Cachiporra (Uruguai)

O espetáculo aborda a problemática das crianças que crescem em lares onde os pais, em especial as mães, não estão presentes. Augustina, a protagonista, sai em busca das mães dos personagens das histórias que a avó lê para ela. A companhia Cachiporra começou seu caminho no mundo dos títeres há 45 anos, tendo participado de mais de 100 festivais ao redor do mundo. (De 5 a 7 de outubro) 

 

 

 

Cuidado con la Marimonda”- Manicomio de Muñecos (Colômbia)

A companhia Manicomio de Muñecos foi fundada em 1975 e atualmente conta com um repertório de 32 obras para todos os tipos de público. A obra “Cuidado con la Marimonda” é baseada na lenda latino-americana da “Marimonda”, também conhecida como “Mãe d’água”, mulher misteriosa que vive nas profundezas dos rios e vela por sua conservação. A história se passa num dia comum, quando os protagonistas, Miguel e Rafael, se dedicam aos trabalhos do campo. Miguel respeita a natureza, mas Rafael acaba com o monte, a fim de obter suficiente lenha e água. A Marimonda aparece para os dois e a cada um ela dá o que merece. (8 de outubro)

 

Cultura comunitária e desenvolvimento social: a importância da cooperação em tempos de Covid-19

Desde os primeiros dias posteriores à declaração da pandemia por parte da Organização Mundial da Saúde, iniciou-se na região ibero-americana um processo de reflexão e ação até então nunca visto. O 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, que começou nesta terça-feira 8 de setembro com a conferência “Cultura comunitária e desenvolvimento social em contexto de emergência sanitária”, foi criado com a intenção de incitar uma reflexão sobre o que estamos vivendo como civilização desde a lógica dos processos culturais comunitários. 

Esta conferência inaugural, em que participaram autoridades de Cultura de oito países integrantes do programa IberCultura Viva, foi moderada por Maximilano Uceda, secretário de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina e presidente do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva. Na abertura, Uceda comentou a alegria de moderar este encontro “em um momento que nos põe em um novo lugar”, com o desafio “de tornar comunitário o virtual”. Em seguida, ele fez uma apresentação do programa, agradeceu a colaboração de todos os países que fazem parte do Conselho Intergovernamental, e passou a palavra às autoridades presentes. (Suecy Callejas, ministra de Cultura de El Salvador, teve problemas de conexão e precisou encerrar sua participação após as saudações.) 

Enrique Vargas Flores, coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano, abriu sua participação manifestando respeito e pesar pelas vítimas da Covid-19 e solidariedade a suas famílias e amigos, ressaltando a oportunidade de valorizar, neste momento de emergência sanitária, o trabalho de base comunitária. “Encontros como o que começa no dia de hoje, que permitem o intercâmbio de experiências e de visões, nos ajudam a entender em sua dimensão regional o imenso aporte das expressões do patrimônio cultural vivo de nossas comunidades para a sociedade local e global”, afirmou.

“Quantas festas patronais não puderam realizar-se? Quantas comidas, celebrações e trabalhos comunitários não foram possíveis fazer?”, questionou Vargas. “Nesses meses, talvez o foco midiático tenha estado concentrado nas indústrias culturais e criativas, na infraestrutura cultural, artistas e gestores. Claro que isso é importante, mas a base de nossa sociedade é o pilar de tudo, por mais óbvio que pareça. O encontro de hoje nos permite reconhecer o aporte das comunidades, nos oferece a oportunidade de relevar o trabalho de base comunitária”. 

Um estudo regional sobre o impacto

O coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano também informou na conferência que um estudo regional para medir o impacto da Covid-19 na cultura e suas indústrias está sendo realizado graças a um trabalho conjunto entre a SEGIB, o BID, a UNESCO e a OEI, em um contexto em que a grande maioria dos indicadores com que se vinha trabalhando sofreram mudanças drásticas e os aportes da cultura nas economias nacionais foram reduzidos ao mínimo pela falta de atividade na maioria dos casos.

“A Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável, o grande acordo multilateral para alcançar os 17 objetivos e suas 169 metas, se vê muito comprometida em seus prazos”, ressaltou o representante da SEGIB, enfatizando que a cultura é um fator de desenvolvimento sustentável para Ibero-América, e que esta reflexão regional sobre cultura e desenvolvimento é um debate que vai se aprofundar no próximo Congresso Ibero-americano de Cultura, que será realizado de modo digital de 4 a 8 de novembro. 

“Na SEGIB reconhecemos profundamente a resposta em matéria cultural por parte dos países ante o confinamento. São muitas as iniciativas e muito o esforço, primeiro em atender ao fechamento da infraestrutura física, e depois, quase de imediato, a dotação de serviços culturais para a população de maneira digital. Nesse sentido, a solidariedade com os artistas e demais envolvidos na cultura tem sido mais que exemplar, tem sido comovente”,  afirmou. 

Segundo Vargas, a cooperação cultural ibero-americana está mais unida e consciente do momento histórico. “Os desafios econômicos e orçamentários que nossos países estão enfrentando marcam um caminho muito complexo. É um momento de somar, de impulsionar alianças público-privadas e de investir mais e mais em cultura”, comentou o coordenador, que também destacou que no futuro, quando forem lidas as páginas da história deste período, a cultura e seus atores serão amplamente reconhecidos e valorizados “por tudo que nos tem dado tanto no emotivo, e por que não, no espiritual, filosófico, estético e narrativo”. 

 

“Uma potência extraordinária”

Tristán Bauer, ministro de Cultura da Argentina, reforçou as manifestações de respeito e pesar pelas vítimas da Covid-19 manifestadas por Enrique Vargas no início de sua apresentação, e recordou algumas ações levadas adiante pelo ministério desde os primeiros dias da emergência sanitária como o reforço nos orçamentos, que se dividiu em duas linhas, uma para o apoio a teatros e organizações culturais, e outra para o apoio individual, baseado em bolsas e subsídios a artistas e trabalhadores e trabalhadoras da cultura. 

O ministro argentino citou duas iniciativas em particular: o programa Pontos de Cultura, que com um investimento de 100 milhões de pesos beneficiou 470 organizações, e o Fundo Desarrollar, cujo apoio econômico alcançou 650 espaços culturais de todas as províncias do país, com um orçamento total de mais de 75 milhões de pesos.

“Sem este investimento do Estado não se poderia ter mantido esta chama acesa”, comentou Bauer, além de destacar “a maravilha da potência extraordinária que esses centros culturais têm, estas organizações que parecem pequenas, mas são gigantescas”. “Nos fortalecemos como país, como nação, quanto mais conseguimos desenvolver, urdir, armar esta trama de organizações de base e de centros culturais”, afirmou o ministro.

 

O desenvolvimento cultural territorial

Logo após à apresentação do ministro de Cultura da Argentina, foi exibido um vídeo de Consuelo Valdés Chadwick, ministra das Culturas, das Artes e do Patrimônio do Chile. Na saudação que gravou para o evento, a ministra se referiu à cultura comunitária como um pilar fundamental “em valor e impacto” que orienta a institucionalidade cultural, e destacou o trabalho que vem sendo feito para o fortalecimento das organizações culturais comunitárias, através de programas de desenvolvimento cultural territorial, como Red Cultura, que desde 2015 tem um investimento anual de cerca de 650 mil dólares.

“Trabalhamos para propiciar espaços de encontro e participação das organizações, tanto em nível regional como nacional. Neste caminho, nosso norte é estabelecer mecanismos de formação para que – em um contexto de intercâmbio, aprendizagem e ferramentas – as organizações culturais comunitárias possam participar do planejamento cultural municipal, e desta forma instalar-se na estrutura das governanças locais desde seus territórios”, comentou a ministra. 

“Hoje, mais do que nunca, em meio ao cenário especial a que nos enfrentamos como humanidade, é necessário seguir trabalhando em redes, em diálogo e colaboração, para nos nutrir e aprender com nossas experiências em comum. Os desafios que temos que enfrentar requerem mais que nunca um trabalho comum”, observou Valdés Chadwick. 

 

Proteger para fortalecer

Carmen Inés Vásquez Camacho, ministra da Cultura da Colômbia, ressaltou que o exercício de elaborar, planejar e executar políticas públicas compreende integrar a cultura como um fator fundamental de desenvolvimento sustentável para a promoção, o respeito, a proteção e a garantia dos direitos culturais da população. “É precisamente nos territórios onde temos concentrado os esforços, desde o ministério, para facilitar e promover os processos e iniciativas dos agentes do setor cultural”, afirmou.

Além de apresentar algumas problemáticas no setor, que se evidenciaram durante a emergência sanitária (5600 infraestruturas culturais foram fechadas no país), como a informalidade laboral e a ausência de um registro de agentes culturais, a ministra citou algumas medidas adotadas, entre decretos legislativos, decretos ordinários, medidas administrativas e linhas de crédito para a economia laranja, com vistas à reativação do setor.  

Nas ações para mitigar os impactos da crise, segundo a ministra, se buscou “proteger os mais vulneráveis do setor, proteger o emprego com o objetivo de manter viva a cultura, e proteger as comunidades para que ao final desta crise possamos sair todos mais fortalecidos”. As principais iniciativas neste sentido se deram por meio de editais de incentivos como “Comparte lo que somos“, o Programa Nacional de Concertação Cultural e o Programa Nacional de Estímulos. A implementação do Registro Nacional de Agentes Culturais também esteve entre as medidas administrativas adotadas na Colômbia. 

 

Aposta na convivência

“Se o pequeno não é viável, a diversidade não existe. Esse é um dos grandes desafios que temos e que está no coração do tema comunitário”, afirmou Sylvie Durán Salvatierra, ministra de Cultura e Juventude de Costa Rica, em sua apresentação durante a conferência, ao convocar seus pares a pensar no que acontecerá na pós-pandemia. Segundo ela, a conjuntura intensifica o que já era um desafio estrutural, mas também nos faz repensar o esquema de como nos sustentamos uns aos outros. “No tema comunitário temos um dos grandes paradoxos da mudança paradigmática que estamos propondo na América Latina desde os anos 1980, 1990, que é sair de um esquema de política cultural reduzido a poucos grupos e centralizado na capital ou nas cabeceiras das regiões, a outro baseado em direitos culturais, cidadania, participação e expressão ampla dos sujeitos da cultura”. 

Para Sylvie Durán, temos que precisar quais são nossos modelos de gestão e pensar que o importante da economia que agora chamam de “laranja” é que seja circular, “que nos convoque à corresponsabilidade, com base na nossa convivência diária, na maneira como nos comportamos, e celebrar que alguém se expresse da maneira que seja, porque sua voz é relevante, e não só por querer se tornar um produto em um palco”.

A ministra lembrou que há 50 anos Costa Rica era um dos piores países da América Latina em desmatamento, mas hoje, depois de um árduo trabalho, se encontram falando de produção e consumo sustentável e colocando o equilíbrio com o meio ambiente como o centro do desenvolvimento. “E isso, como se faz? Com cultura”, explicou. 

“Hoje, Costa Rica constrói seu projeto de desenvolvimento ao redor da descarbonização e do compromisso com o meio ambiente, pelo que nos ‘condenamos’, entre aspas, porque a única maneira é salvar o planeta e a convivência humana, a não poder desenvolver certos negócios”, afirmou. “Assim como não devemos produzir destruindo o ambiente, não podemos seguir pensando que convivemos, que consumimos ou que sonhamos um mundo em que a única maneira de alcançá-lo é explorando o próximo e não dando espaço para sua existência. Isso é desafiante porque o mundo que temos hoje é insustentável e não aposta na convivência”.

 

Um pacto para fortalecer os laços

Alejandra Frausto Guerrero, secretária de Cultura do Governo do México, ao reflexionar sobre os tempos que vivemos, acredita que a partir desta crise dolorosa uma nova etapa do humanismo tem que surgir. “A cultura sempre nos salvou e estou segura de que esta não será a exceção”, afirmou a secretária, que também ressaltou a importância da cultura comunitária na atual política cultural de México. “O programa estratégico da secretaria se chama Cultura Comunitária, e graças a ele pôde-se contar com a ajuda de organizações comunitárias, colocando em evidência os laços de solidariedade em um momento como este”.

Para ela, a cultura mostrou um papel fundamental nesta pandemia — um papel de refúgio, de consolo e inclusive de saúde pública —, e a organização entre os coletivos e os agentes culturais se fortaleceu durante a crise. “As culturas vivas foram muito afetadas, as tradições, o que nos reúne, as festas patronais. Será interessante o que surgir desta reinvenção nas formas de nos encontrarmos”, observou.

Nestes tempos de emergência sanitária, segundo a secretária de Cultura, até a Residência Oficial de Los Pinos, que antes era a residência presidencial, se abriu como espaço cultural e se ofereceu para que ali pudessem viver enfermeiras, doutores e doutoras que tinham medo de voltar para casa e contagiar seus familiares. 

Para Alejandra Frausto, todos deveríamos fazer um pacto para fortalecer nossos laços e colaborar como as potências culturais que somos. “Temos a obrigação de reconstruir a esperança. Temos que dar sentido às vidas que se salvam. A cultura pode ser o eixo de reconstrução da sociedade.”

 

A reinvenção desde os direitos culturais

Alejandro Arturo Neyra Sánchez, ministro de Cultura do Peru, comentou que desde o início eles tiveram duas prioridades básicas: a atenção às comunidades indígenas que habitam o país, em especial na zona da Amazônia, onde o cuidado da saúde é complicado pelas características do território, e às comunidades que vivem da cultura, os artistas, os gestores culturais, as organizações. “Pudemos constatar a resistência, a resiliência das pessoas vinculadas à cultura e as formas com que elas têm se reinventado. Nosso papel é ajudá-los nessa reinvenção, com o enfoque nos direitos culturais”, disse o ministro.

No Peru, foi aprovada há um mês a Política Nacional de Cultura para 2030, que coloca esse enfoque no centro do debate. “Não podemos falar de direitos culturais sem falar da cidadania, da comunidade, daqueles a quem temos que tornar acessível a cultura no que se refere ao patrimônio, às indústrias culturais, e a identidade cultural, muito importante num país tão diverso como o nosso, para lutar contra o racismo e a discriminação. Nas atuais circunstâncias, temos visto a solidariedade que se cria a partir da cultura, mas também muitas reações negativas em termos de discriminação”, observou Neyra Sánchez.

O Ministério de Cultura do Peru recebeu um fundo de cerca de 15 milhões de dólares para ajudar os atores culturais, individuais e coletivos. O ministro foi a Ayacucho, uma região andina, para entregar simbolicamente os três primeiros apoios em Huamanga, uma cidade criativa da Unesco, e Quinua, uma cidade de ceramistas. “Queríamos que as primeiras entregas fossem para artesãos e gente com projetos em comunidades altoandinas”, justificou.

 

Cultura como expressão do povo

Ana Ribeiro, vice-ministra de Cultura e Educação do Uruguai, contou que pela situação de pandemia e de confinamento voluntário se multiplicou por 11 o número de consultas recebidas pelo Plano Ceibal, e se multiplicou também o número de conteúdos. “Todos os ministérios e grupos da sociedade civil ativos culturalmente contribuíram com produtos culturais magníficos, publicados na plataforma Cultura em Casa”, afirmou. (O Plano Ceibal foi criado em 2007 como um plano de inclusão e igualdade de oportunidades, com o objetivo de apoiar com tecnologia as políticas educativas uruguaias.)

O que vai acontecer conosco? A vice-ministra é um tanto cética. “Não acredito que consigamos desativar de todo alguns vícios de relacionamento com o meio ambiente e nós mesmos, que nos acompanham quase atavicamente. Somos uma espécie animal que pode fazer poesia, mas que é naturalmente depredadora e invasora. Não creio que essas coisas mudem majoritariamente, mas as mudanças que conseguirmos serão boas, e só poderemos alcançá-las em termos de cultura. De cultura cívica”, destacou. “Nisso se baseou nossa política de enfrentamento à pandemia, com um pé apoiado na cultura, no sentido que abarca a expressão do povo”.

 

Assista ao vídeo da conferência:

https://www.facebook.com/watch/?v=1588016044712452

Conversatório sobre cultura comunitária, gênero e diversidade discute a agenda de governos e coletivos

 

““Desafios das organizações culturais comunitárias em torno dos direitos das mulheres e das diversidades sexuais e de gênero” é o primeiro dos conversatórios temáticos que serão realizados no 4º Encontro de Redes IberCultura Viva. Trata-se de um espaço de apresentação e debate acerca da agenda de governos e organizações culturais comunitárias (OCC) diante dos desafios da transversalização de ações que promovem a equidade de gêneros e o direito à diversidade sexual, desde a particularidade do trabalho territorial.

O conversatório terá dois painéis, nesta sexta-feira 11 de setembro, às 14h e às 17h (considerando o horário de Argentina). Cada uma das sessões terá seis pessoas convidadas e uma moderadora. Essas pessoas são provenientes de seis países e têm perfis variados, incluindo ativistas trans e ecofeministas, fundadoras de coletivos que trabalham com as temáticas de gênero e diversidade, e funcionários e autoridades dos governos integrantes do programa IberCultura Viva.

 

Quem participa

 

PAINEL 1

Sexta-feira 11 de setembro, 14h (hora de Brasília)

 

Alba Rueda (Argentina) 

Ativista trans. Subsecretária de Políticas de Diversidade do Ministério de Mulheres, Gênero e Diversidade. Integrante de Noti Trans e Mujeres Trans Argentina. Pesquisadora do Departamento de Gênero e Comunicações do Centro Cultural da Cooperação Floreal Gorini. Integrante do Conselho Assessor do Observatório de Gênero na Justiça, Conselho da Magistratura da Cidade Autônoma de Buenos Aires (C.A.B.A.).

 

Luisa Lucía Paz – DIVAS: Ponto de cultura de temática transgênero (Argentina) 

É coordenadora de Prevenção e Abordagem em Violência Institucional do Ministério das Mulheres, Gêneros e Diversidade. Foi presidenta da Rede Nacional A.T.T.T.A. (2017-2020).  Coordenou o Congresso Nacional e Internacional de ESI e o Fórum Feminista: Popular e Latino-americano. Fundou a ONG Di.Va.S. – Diversidad Valiente Santiagueña. Atualmente integra o Conselho Consultivo do Plano Nacional de Prevenção da Gravidez Não Intencional na Adolescência (Plan ENIA) do Ministério da Saúde.

 

Lorena Berríos Ibacache (Chile) 

Ativista ecofeminista dissidente sexual. Representante plurinacional da Mesa Regional de Organizações Culturais Comunitárias (OCC) da Região do Maule. Integrante da Colectiva Cultural Equidad y Género.

 

Natalia Toledo (México) 

Subsecretária de Diversidade Cultural e Fomento à Leitura da Secretaria de Cultura do Governo do México. Poeta bilíngue (zapoteco-espanhol). É egressa da Sociedade Geral de Escritores de México (SOGEM). Tem combinado seu trabalho literário com a elaboração e difusão da cozinha do Istmo de Tehuantepec e o desenho de têxteis. Prêmio Nacional de Literatura Nezahualcóyotl 2004 por Olivo negro. Em 2003 e 2004 seus projetos Los sueños del olivo e Las palabras generan palabras foram escolhidos pelo programa Artes por Todas Partes, do Instituto de Cultura da Cidade do México. Foi bolsista do Fundo Nacional para a Cultura e as Artes (FONCA) em línguas indígenas (1994, 2001 e 2004), e do Fundo Estatal para a Cultura e as Artes (FOESCA) de Oaxaca na área de jovens criadores (1995). 

 

Susana Matute (Peru) 

Licenciada em Educação. Magíster em Gerência Estratégica. Candidata a doutora em Educação. Especialista em Educação para a Sustentabilidade: Meio Ambiente, Economia e Interculturalidade pela Universidad de Granada. Atuou como especialista em Educação Intercultural e Cultura afro-peruana da DIGEIBIRA do Ministério de Educação do Peru. Atualmente se desempenha como diretora da Direção de Políticas para a População Afro-peruana do Ministério de Cultura. É, também, presidenta da Rede Interamericana de Altas Autoridades sobre Políticas para Populações Afrodescendentes (RIAFRO).

 

Yefry Peña – Casa Trans Lima Este (Peru) 

Ativista defensora dos Direitos Humanos e diretora da Casa Trans Lima Este.

 

 

 

Leidy Ortega (Peru) 

Encarregada dos Registros de Pontos de Cultura do Ministério de Cultura. Gestora cultural. Mestre em Gerência Social pela Pontifícia Universidade Católica do Peru. Psicóloga social pela Universidade Nacional Federico Villarreal. Especialista em temas de gestão de projetos, gênero, diversidades e direitos laborais de trabalhadoras do lar. Com experiência em gestão pública, promoção de atividades culturais comunitárias e gestão do voluntariado. 

 

PAINEL 2 

Sexta-feira 11 de setembro, 17h (hora de Brasília)

Niurka Chávez Soria (México) 

Formada em Sociologia com especialização em Sociologia da Arte e da Cultura e em Estudos de Género nas Ciências Sociais pela UNAM-FES Acatlán. Participa de diversos projetos e espaços de pesquisa e trabalho colaborativo com coletivos vinculados à promoção de direitos humanos e políticas públicas sobre cultura e direitos das pessoas jovens. Atualmente integra o programa Cultura Comunitária na Direção Geral de Vinculação Cultural da Secretaria de Cultura do Governo do México. Também é coordenadora do curso Direitos Culturais e Agenciamento para a Secretaria de Cultura da Cidade do México.

 

Cecilia Merchán (Argentina) 

Formada em Comunicação Social. Foi deputada nacional e deputada do Parlasul. Atualmente é secretária de Políticas de Igualdade e Diversidade no Ministério das Mulheres, Gêneros e Diversidade. Coordenou o programa Juana Azurduy e o Comitê Executivo contra o Tráfico de Pessoas. Dirige a editora Las Juanas Editoras e é representante de La Colectiva. 

 

Ariane Denault Lauzier – Colectivo Teatral Mujeres de Fuego (Colômbia) 

Atriz, diretora, performer e pedagoga teatral. Licenciada em Estudos Sociopolíticos Latino-americanos com estudos complementares em teatro. Fundadora do Colectivo Teatral Mujeres de Fuego, que trabalha a criação teatral a partir do corpo com um enfoque sociopolítico e de gênero, assim como uma linha de trabalho em comunidade. Especializou-se em facilitar oficinas em relação a: corpo e imagem poética, teatro do oprimido, teatro para a paz, teatro e gênero com mulheres, entre outros. Trabalha temas como gênero, participação, violência contra as mulheres, direitos sexuais, paz e reconciliação, violência estrutural, saúde comunitária, liderança.

 

Avilinia Reyes García – Mujeres Colibrí Colectiva LésBica Indígena (México) 

Jovem indígena, lésbica, zapoteca da Serra Norte do Estado de Oaxaca. Migrante na Cidade do México. Gestora cultural da Universidad Autónoma de la Ciudad de México (UACM). Promotora e defensora dos direitos culturais. Foi aluna da escolinha de promotoras e defensoras jovens indígenas Mirna Cunningham e da Escola de Promotores de Direitos Humanos Fray Francisco de Vitoria. Membro de Mujeres Colibrí Colectiva LésBica Indígena.

 

Celia Solís – Comedor Popular San Martín del Once (Peru) 

Dirigente social do bairro La Balanza, Comas. Começou a trabalhar no Comedor San Martín del Once em 1999 e é presidenta desde 2007. Entre 2012 e 2019 participou do processo de transformação da instituição em um centro cultural, dentro do projeto Fitecantropus. Participa também da Fiesta Internacional de Teatro en Calles Abiertas (FITECA).

 

Luisa Rodríguez Cattaneo (Uruguai) 

Diretora de Promoção Sociocultural do Ministério de Desenvolvimento Social do Uruguai. Sua formação como professora de educação física e gestora cultural tem permitido o desempenho em diferentes papéis como diretora de Cultura e Esporte de Treinta y Tres, realizando planos quinquenais na área, incluindo novas infraestruturas, eventos e programas especiais para distintos públicos-alvo.

 

Patricia Rivera Ritter (Chile) 

Chefa do Departamento Cidadania Cultural da Subsecretaria das Culturas e das Artes do Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio do Chile. Dedica-se à função pública há mais de uma década em diferentes áreas de fomento, gestão e promoção de programas e iniciativas culturais. É professora de Estado em História e Geografia na Universidade de Tarapacá. É mestre em Ciências Sociais (menção Desenvolvimento Social) pela Universidade A Prat, e em Educação (menção Currículo Baseado em Competências) pela Universidade Santo Tomás. É também diplomada em Gestão da Participação Cidadã, Universidad del Litoral, Buenos Aires; em Estudos de Gênero, Planejamento e Desenvolvimento, pelo Centro Estudos de Gênero da Universidade de Chile; e em Gestão Cultural, Universidade de Chile, Organização dos Estados Ibero-americanos, Conselho Nacional da Cultura e das Artes, e REPPI para Ibercultura Viva.

 

Inscrições abertas para o conversatório “Participação social e cooperação cultural”

 

Além dos conversatórios temáticos programados para o 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, um grupo de trabalho especial será selecionado por meio de convocatória para o conversatório “Participação social e cooperação cultural”, coordenado pela equipe do programa Cultura Comunitária da Secretaria de Cultura do Governo de México. As inscrições para participar deste grupo estarão abertas entre os dias 4 e 14 de setembro no Mapa IberCultura Viva.

A intenção é que as pessoas participantes das três sessões do conversatório “Participação social e cooperação cultural”, programadas para os dias 25 de setembro, 2 e 9 de outubro, possam reflexionar sobre o trabalho do programa IberCultura Viva, num processo colaborativo para a construção do Plano Estratégico Trienal (PET) 2021-2023. 

 

Conversas

As conversas terão as seguintes temáticas: “Políticas culturais de base comunitária para a pós-pandemia” (25 de setembro); “Mecanismos, propostas metodológicas e caminhos de participação” (2 de outubro), y “Brecha digital e cultura comunitária” (9 de outubro). 

As sessões se realizarão na modalidade virtual, via Zoom, e terão transmissão ao vivo por YouTube e Facebook, a partir das 12:00 no horário do México (14:00 no Brasil). Os encontros também poderão ser acompanhados através da página web https://encuentroderedes.org/.

 

Inscrições

Serão selecionadas para o GT de Participação Social até 132 pessoas integrantes de organizações culturais comunitárias (OCC) dos 11 países membros de IberCultura Viva: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Espanha, México, Peru e Uruguai. Cada uma das sessões poderá incorporar até 44 representantes, sendo 12 pessoas por país membro (será levada em conta a ordem de chegada das inscrições). 

Cada pessoa pode se inscrever para uma mesa do conversatório, e só poderá se inscrever uma pessoa por OCC. A seleção final deverá refletir diversidade territorial e regional priorizando a participação de OCC de diferentes regiões de cada país, com um mínimo de 50% de mulheres (mínimo 22 mulheres, 2 por país); 30% de pessoas afrodescendentes e indígenas, e 10% de pessoas da comunidade LGBTQ (4 por conversatório).

As pessoas postulantes devem ser membros de organizações culturais de base comunitária ou de povos originários, com ou sem personalidade jurídica. Espera-se ter 30% de OCC que participem em representação de uma rede nacional ou subnacional (13 por conversatório, 1 por país); 30% de OCC com mais de 5 anos de funcionamento (13 por conversatório, 1 por país), e 30 % de OCC que tenham tido alguma articulação com o programa (13 por conversatório, 1 por país). 

 

Mapeamento

Durante o conversatório serão realizadas de maneira simultânea três WikiSprint-Mapeo de experiências e saberes comunitários. Ao momento de iniciar-se as conversas, abre-se um chat mediante # em redes e um formulário para ingressar os seguintes dados, unicamente durante a realização do conversatório: nome da organização; breve descrição de atividades; país e localidade; aporte ou comentário ao tema #. Poderão participar do Mapeamento de Iniciativas WikiSprint todas as pessoas interessadas dos 11 países membros do programa, sem número de vagas limitado.

 

Sobre a plataforma

Para se inscrever no conversatório “Participação social e cooperação cultural” é necessário registrar-se primeiro como agente cultural no Mapa IberCultura Viva. Esta plataforma livre, gratuita e colaborativa permite o registro de dois tipos de agentes: individual e coletivo. Por agentes individuais compreendemos as pessoas físicas, e por agentes coletivos, as organizações culturais comunitárias, entidades, povos originários, coletivos, agrupações e instituições. No caso desta convocatória, é obrigatório registrar o perfil de agente individual (a pessoa física que será responsável pela inscrição). 

Uma vez concluído o perfil de agente, deve-se clicar em “Convocatórias” (na parte superior da tela) e buscar o arquivo que aparece com o título “Convocatória para integração do Grupo de Trabalho de Participação Social e Cooperação Cultural” para iniciar a inscrição. Aqui está um instrutivo sobre o registro na plataforma: https://bit.ly/34x4Y00

 

Confira o regulamento: https://bit.ly/31VSDkl

Inscrições: https://mapa.iberculturaviva.org/oportunidade/154/

Consultas: programa@iberculturaviva.org

 

Leia também:

Os conversatórios do 4º Encontro de Redes: um espaço para a construção participativa

 

Conferência inaugural do 4º Encontro de Redes IberCultura Viva reúne autoridades de seis países

 

Autoridades de Cultura de seis países participarão da Conferência “Cultura comunitária e desenvolvimento social em contexto de emergência sanitária”, que dará início ao 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, nesta terça-feira 8 de setembro, às 18h (horário de Brasília e Buenos Aires). O encontro virtual terá transmissão ao vivo por YouTube e Facebook e também poderá ser acompanhado pelo site www.encuentroderedes.org.

Está prevista a participação de Carmen Inés Vásquez Camacho, ministra de Cultura da  Colômbia; Suecy Callejas, ministra de Cultura de El Salvador; Sylvie Durán Salvatierra, ministra de Cultura e Juventude de Costa Rica; Tristán Bauer, ministro de Cultura da Argentina; Ana Ribeiro, vice-ministra de Educação e Cultura do Uruguai; Alejandra Frausto Guerrero, secretária de Cultura de México, e Enrique Vargas Flores, coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano (Secretaria Geral Ibero-americana). A moderação estará a cargo de Maximiliano Uceda, secretário de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Argentina e presidente do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva.

O 4º Encontro de Redes IberCultura Viva, que se realizará entre 8 de setembro e 15 de outubro, tem por objetivo oferecer-se como um espaço de diálogo e reflexão sobre a importância das organizações culturais comunitárias e seu trabalho territorial para conter a propagação do vírus Sars-CoV-2, e como articuladoras, junto aos governos centrais e locais, de políticas culturais de base comunitária que ajudem a sustentar o entramado social no atual contexto de emergência sanitária.

A proposta dirige-se a coletivos, organizações e pessoas que trabalham no âmbito da cultura comunitária, assim como representantes de governos que articulam políticas culturais de base comunitária. A programação inclui conversas, seminários, uma mostra de cinema comunitário ibero-americano e uma mostra de títeres. A intenção é que as pessoas participantes, além de debater temas como “Cultura comunitária e gênero”, “Educação popular, arte e transformação” e “Saúde e cultura comunitária”, possam reflexionar sobre o trabalho do programa IberCultura Viva, num processo participativo para a construção do próximo Plano Estratégico Trienal 2021-2023. 

 

Quando:

Terça-feira 8 de setembro, 18h (hora de Brasília)

 

Quem participa

 

Tristán Bauer (Argentina)

Ministro de Cultura de Argentina. É diretor de cinema formado pela Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica (ENERC), com vasta trajetória na criação e direção de documentários e longas-metragens de ficção. Foi diretor do canal Encuentro, diretor do Sistema Nacional de Meios Públicos e presidente da Radio y Televisión Argentina.

 

Carmen Inés Vásquez Camacho (Colômbia) 

Ministra de Cultura da Colômbia. É advogada da Universidad Libre, com mestrado em Direito Administrativo e especializações em Direito Constitucional e em Relações Internacionais. Foi ministra plenipotenciária da Missão da Colômbia ante a Organização de Estados Americanos e vice-ministra do Ministério do Interior. Também foi assessora do Programa Presidencial para a População Afro-colombiana e codiretora da Cúpula Mundial Afro em 2013. Entre outras funções, também foi secretária privada da Controladoria Geral da República, e controladora delegada para o setor Defesa, Justiça e Segurança.

 

Suecy Callejas (El Salvador) 

Ministra de Cultura de El Salvador. Bailarina, gestora cultural e advogada salvadorenha comprometida com a geração de normativas e políticas públicas que garantam o acesso democrático à arte e à cultura para a população, desde um enfoque multicultural e de inclusão social. Foi a primeira secretária da Secretaria de Cultura do Governo de San Salvador.

 

Alejandra Frausto Guerrero (México) 

Secretária de Cultura do México. Formada pela Faculdade de Direito da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Desde 1998 se dedica à promoção e gestão cultural no âmbito público e privado, à produção de eventos de grande escala e ao desenvolvimento e implementação de políticas públicas relacionadas com a cultura e o desenvolvimento humano buscando posicionar a cultura como uma estratégia do desenvolvimento social. Entre os cargos que exerceu estão o de diretora de Difusão Cultural da Universidad del Claustro de Sor Juana; coordenadora do Circuito de Festivais na Secretaria de Cultura do Governo do D.F.; diretora de sua própria empresa, AF Proyectos, agência de gestão cultural, relações públicas e produção de eventos e consultoria; diretora do Instituto Guerrerense da Cultura, convertido sob sua gestão em Secretaria de Cultura do Estado de Guerrero; diretora geral de Culturas Populares da Secretaria de Cultura do Governo da República.

 

Sylvie Durán Salvatierra (Costa Rica) 

Ministra de Cultura e Juventude de Costa Rica. Atriz e cantora, se formou em Artes Dramáticas na Universidade de Costa Rica. Desde 1997 se dedica à investigação-ação em artes performativas e interculturalidade (música, dança, festividades) e em projetos culturais para a integração centro-americana. Completou o Master Internacional em Gestão, Políticas Culturais e Desenvolvimento da Universidade de Girona, Espanha. Trabalhou no escritório da UNESCO em San José, no Programa de Apoio para a Integração Regional de Centroamérica do SICA, e na Rede de Centros Culturais da Agência Espanhola de Cooperação (AECID). Tem atuado como docente e pesquisadora, facilitadora de processos grupais e consultora em temas de cultura e desenvolvimento, patrimônio e turismo cultural, redes e associatividade, economia, sustentabilidade da cultura e modelos de gestão.

 

Enrique Vargas Flores 

Coordenador do Espaço Cultural Ibero-americano (SEGIB). Participa de todos os Conselhos Intergovernamentais dos 13 Programas Ibero-americanos de Cooperação Cultural. Coordenador do estudo sobre Cultura e Desenvolvimento na América Latina para a reunião mundial de ministros de Cultura (Unesco-2019). Relator da VI Cúpula Mundial de Cultura de IFACCA. Doutor honoris causa pelo Claustro Doctoral México (2014). Integrante do Conselho Assessor do Centro de Estudos Mexicanos da UNAM. Foi diretor-geral de Enlace Legislativo do CONACULTA, hoje Secretaria de Cultura do México; vice-presidente da Academia Mexicana de Direito, Educação e Cultura; e secretário técnico da Comissão de Cultura da II Legislatura da Assembleia Legislativa do Distrito Federal. É professor convidado na Pós-graduação de Gestão e Cooperação Cultural Internacional da Universidade de Barcelona.

 

Maximiliano Uceda (Argentina) 

Gestor cultural. Militante político. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nacional de Cuyo e mestre em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Barcelona. Foi diretor de Indústrias Criativas de Mendoza. También dirigiu o Espaço Cultural Julio Le Parc, coordenou o programa de federalização do Centro Cultural Kirchner (“CCKirchner por el país”), e trabalhou como diretor de Produção Artística da Universidad Nacional de las Artes. Atualmente é Secretário de Gestão Cultural do Ministério de Cultura da Nação. É presidente do Conselho Intergovernamental IberCultura Viva.